Airsoft – Origens

O Japão é conhecido como o local de origem do Airsoft. Uma das causas que despoletou este acontecimento está ligada às inúmeras restrições sobre a posse e uso de armas de fogo por parte dos civis, impostas nesse país no final dos anos 50. Estas imposições legais, bem como o espírito de tradição guerreira e o culto da honra japoneses, aliadas ao forte crescimento económico do pós 2ª Guerra Mundial e à capacidade criativa deste povo, foram os ingredientes necessários para o surgimento desta prática, nas décadas seguintes.
Não existe consenso quanto ao modelo considerado como a primeira réplica de Airsoft, nem quando terá surgido exactamente. O que é unânime é o facto da grande impulsionadora de toda esta nossa modalidade ter sido a FAMAS F1 AEG, lançada pela Tokyo Marui em 1992. Ou seja, 30 anos após o surgimento das referidas restrições, o Japão impulsiona o forte crescimento e desenvolvimento de uma modalidade e de uma indústria.
Por tudo isto, esta modalidade tornou-se bastante popular em países como a China, sobretudo em Hong Kong e Macau, Taiwan, Coreia do Sul e Filipinas. Foi proliferando por toda a Ásia, ao mesmo tempo que se expandiu significativamente pelo resto do mundo, em países como, Estados Unidos da América, Espanha, França, Suécia, Itália, Canadá.
Ainda hoje podemos constatar as raízes desta modalidade, pois uma enorme fatia das réplicas, acessórios, peças de “upgrade” e de reparação usados na prática de Airsoft, é desenvolvida e produzida na Ásia.

 

Airsoft em Portugal

O Airsoft em Portugal remonta aos finais dos anos 90, tendo-se propagado em maior escala a partir do ano 2000.
Esta prática fomenta o espírito de companheirismo, jogo de equipa, estratégia, táctica, “fair-play”, comunicação e respeito entre os praticantes.
Apesar de não existirem dados concretos nem oficiais que demonstrem a realidade quanto ao número de praticantes, esta modalidade e tudo o que promove, ao longo dos anos tem vindo a absorver cada vez mais adeptos. A dificuldade em apurar quantos jogadores efectivamente existem em Portugal, deve-se ao facto de muitos dos praticantes se legalizarem apenas como meio de obterem licença para a aquisição das réplicas, para fins de colecção, ou prática individual. Além disso, infelizmente existem muitos outros praticantes que, por opção, não se encontram legalizados.

O que é o Airsoft?

Numa primeira análise, podemos estabelecer um termo de comparação entre o Airsoft e o Paintball, mas apenas a nível conceptual.
No entanto, no caso do Airsoft, as réplicas, equipamentos e acessórios utilizados nesta modalidade, bem como os ambientes criados, primam pela extrema proximidade visual e funcional, quando comparados aos originais. Além do mais, dada a sua origem e o facto dos projécteis utilizados não produzirem marcação evidente (contrariamente ao Paintball, em que os projécteis “pintam” onde acertam), esta modalidade assume-se como um jogo de honra e de respeito pelo próximo, já que são os praticantes os responsáveis por admitir a sua eliminação, demonstrando assim a sua maturidade.
Por ser visualmente e funcionalmente mais realista, os jogos de Airsoft tendem a simular situações de confronto militar, policial, ou até mesmo civil. No entanto, não se poderá nunca equiparar a um panorama autêntico de um verdadeiro confronto, visto que o objectivo principal é a diversão e o convívio entre os praticantes. Além disso, as réplicas e equipamentos utilizados não têm sequer a possibilidade de atingir as potencialidades dos equivalentes reais.
As réplicas de Airsoft não se encontram preparadas para disparar munições balísticas reais, sendo impossível converte-las para tal, pois a sua concepção e resistência são amplamente distintas das originais. Utilizam esferas de plástico e doutros compósitos polímeros, tipicamente de 6mm ou de 8mm (apesar destas últimas não estarem contempladas na Lei Portuguesa), designadas por BB’s (“Ballistic Ball”).
Esta modalidade possibilita aos seus praticantes desenvolver noções de táctica, lógica, coordenação, orientação, técnicas de sobrevivência e condição física. Todavia, não fomenta o uso da violência nem se identifica com qualquer grupo militar, actividade política ou ideologia religiosa.

Vertentes do Airsoft

Ao longo dos tempos, o Airsoft tem ganho bastante popularidade e adquirido adeptos nas suas variadas vertentes. Alguns exemplos dessas vertentes são:

Jogo Táctico em Equipa

Inspirado numa simulação táctico militar, coloca em confronto duas ou mais equipas, em número de jogadores previamente estipulado, num ambiente natural ou urbano.
Caracteriza-se pela concretização de um ou mais objectivos, que são dados a conhecer no início e no decorrer do jogo. Esses objectivos poderão ser, eliminação da equipa adversária, captura ou escolta de um determinado objecto ou jogador, ataque ou defesa de um dado perímetro, entre inúmeros outros, mediante a narrativa ou criatividade do jogo.
As variações mais usuais nesta vertente são os “skirmish” e os “milsim”. Os “skirmish” são caracterizados pelo seu dinamismo e simplicidade de objectivos. Geralmente promovem a actividade constante dos jogadores e colocam menos, ou até nenhumas restrições quanto ao uso de determinados acessórios e uniformes. Usualmente não impõem limite de BB’s, ou tipo de carregador. No caso dos “milsim” (“military simulation”), as condicionantes tendem a ser bem mais elaboradas. Habitualmente estão associados a uma narrativa, a qual influencia a acção dos jogadores e o desenvolvimento do jogo, o qual acarreta um maior número de regras. Determinam indumentárias e acessórios, bem como limite de BB’s e tipo de carregadores.  

  • Reencenação Histórica – Trata-se de uma temática cada vez mais sustentada pelos

praticantes de Airsoft.            
Têm sido registados vários jogos de recriação da Segunda Guerra Mundial e do Vietnam, entre outros.
Os envolvidos criam cenários altamente ilustrativos de verdadeiros episódios das épocas.
Neste tipo de jogos, as condicionantes mais pertinentes, são o facto de apenas se poder participar com o chamado “boneco” do período temporal a que se refere o jogo. Isto é, toda a indumentária e réplicas utilizadas evidenciam-se por serem perfeitamente identificados com as utilizadas na época. A imaginação e a capacidade recreativa dos praticantes desta vertente histórica, enaltecem todo o ambiente criado.

 

Tiro Prático de Airsoft

Esta actividade consiste no tiro ao alvo, numa vertente dinâmica. Isto porque além do objectivo de pontuar nos alvos, o praticante deve percorrer uma pista delineada, com obstáculos e outras condicionantes variadas, em constante contra-relógio.
Embora recente, tem cativado bastantes apaixonados no nosso seio. As suas orientações baseiam-se nas regras da I.P.S.C. (International Practical Shooting Federation).
A ALA (Associação Lusitana de Airsoft, outrora designada por FPA – Federação Portuguesa de Airsoft) teve um papel preponderante na adaptação deste desporto à condição do Airsoft. Embora nesta vertente, o tiro prático não corresponda na sua totalidade à realidade I.P.S.C., existem regras chave impostas aos praticantes, de forma a manter os níveis de segurança desejados e respectivos graus de dificuldade, promovendo uma aproximação mais fidedigna à realidade do tiro prático real.
O tiro prático de Airsoft é uma competição de carácter individual ou colectivo, e proporciona aos seus praticantes o desenvolvimento dos seus reflexos, destreza, pontaria e disciplina.

 

 

Tiro de Precisão de Airsoft
À semelhança do Tiro Prático, o Tiro de Precisão de Airsoft é igualmente uma prática de carácter individual ou colectiva, que consiste também no tiro ao alvo. Distingue-se principalmente pelo seu carácter estáctico, visto promover a extrema concentração e exactidão da acção do praticante.


Normas de Segurança para a prática

Cabe a cada praticante adquirir o material e os acessórios de acordo com o que pretende. Não obstante, a utilização de óculos de protecção ou outro tipo de protecção ocular, é de carácter obrigatório. No decorrer do jogo, nunca deverão ser retirados e mesmo nas situações em que os jogadores se preparam para jogar e se encontram a testar as suas réplicas, deverá ser impensável a não utilização de qualquer tipo de protecção ocular.
Existem no mercado distintos modelos de protecções deste tipo, que poderão satisfazer a preferência do jogador.

Fora do ambiente de jogo, é necessário ter em atenção outros aspectos, nomeadamente no transporte e manuseamento das réplicas na via pública.
Por lei é estritamente proibido ostentar as réplicas de Airsoft em locais públicos, que não estejam contextualizados na ocorrência de um dado evento de Airsoft.
À parte de questões legais, é de bom-tom os praticantes da modalidade serem prudentes e respeitosos na sua conduta. Uma boa regra empiricamente instituída é, fora do ambiente de jogo, não andarem totalmente fardados, nem exporem determinados acessórios que poderão ser equiparados ou confundidos com os reais, utilizados por pessoal militar e policial.


 

Lei das Armas Portuguesa

Em Portugal, a lei das armas impõe claramente certas condicionantes respeitantes às réplicas de Airsoft, bem como à sua posse e utilização. Embora muitos praticantes da modalidade discordem das aplicações vigentes, cabe a cada um de nós a responsabilidade de zelarmos pelo seu devido cumprimento.

A Lei das Armas actualmente em vigor em Portugal é a Lei 5/2006, de 23 de Fevereiro, afectada das consequentes alterações impostas pelas Leis nº17/2009, de 6 de Maio e nº12/2011, de 27 de Abril. Existem outras leis e portarias associadas, mas que não são relevantes para a prática da modalidade de Airsoft.

 

 

Condições legais para a prática de Airsoft
A legalização dos praticantes prevê a inscrição numa associação ou clube devidamente reconhecidos para o efeito e que promovam esta modalidade.
Actualmente, a idade mínima para os que pretendam tornar-se praticantes é aos 16 anos de idade, desde que seja apresentada uma autorização escrita pelo seu tutor.